Parques urbanos: a natureza na cidade - uma análise da percepção dos atores urbanos

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Parques urbanos têm sido criados em todo o mundo desde o século XVIII, com objetivos de amenizar os problemas sociais e ambientais citadinos gerados pelo crescimento urbano desordenado. Esses espaços urbanos adquiriram vários significados ao longo de sua existência - entre eles espaço de conflitos, conservação e lazer - alguns dos quais permitiram tanto a disseminação, quanto a inviabilização desse uso para compor o mosaico urbano. No Brasil a criação de Parques foi iniciada no século XIX, com vinda da família Real portuguesa para o Rio de Janeiro. Por isso, muitos parques urbanos brasileiros se inspiraram no estilo europeu na sua concepção; contudo, com o passar dos anos outros estilos de construir parques foram concebidos por arquitetos brasileiros.

Muitas vezes, os parques urbanos são criados e não são implementados, uma vez que, em algumas situações, na configuração do mosaico urbano, os parques não são percebidos pelos atores urbanos como um uso prioritário. Isso por que o espaço urbano, recurso cada vez mais escasso, tornou-se campo de disputa de atores urbanos – Estado, atores privados e comunidade local – que buscam, por meio de suas percepções, atender suas necessidades, motivações e interesses no processo de ocupação do espaço urbano. Como resultado tem-se, na configuração do mosaico urbano, alguns usos urbanos - residencial, comercial, industrial e de proteção especial - que não são considerados como viáveis pelos arranjos de ocupação do espaço urbano estruturados pelos atores urbanos.

Este estudo buscou, então, compreender o papel da percepção dos atores urbanos que comprometem a implementação de um uso urbano de proteção especial - parque urbano. Assim, o desenvolvimento desse estudo demandou a seleção de um estudo de caso que foi o Parque Urbano e Vivencial do Gama, que se localiza na Região Administrativa do Gama no Distrito Federal. Uma série de entrevistas foram realizadas para obter informações sobre a percepção dos atores urbanos - o Administrador da Cidade do Gama, o Legislador, os Executores e, principalmente, os moradores do entorno - que são responsáveis pelas decisões e atitudes relativas à criação e implementação do PUVG.

Esta pesquisa permitiu identificar as duas principais razões que comprometem a implementação do PUVG. A primeira é a percepção predominante de atores institucionais de que o parque urbano é um espaço de conflito, e consequentemente, qualquer ação decisiva para a implementação do PUVG pode desagradar eleitores, em particular aqueles que residem dentro do parque. A segunda está relacionada à descrença da comunidade local da importância de seu papel, como indivíduos e como coletividade, na implementação do PUVG, muitos dos quais se beneficiam do parque para atividades de lazer.

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© Lucas de Alencar Oliveira | Attorney Advertising

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